quantidade de casas de repouso no Brasil

Qual é a quantidade de casas de repouso no Brasil?

A quantidade de casas de repouso no Brasil é um dado fundamental para entender a infraestrutura de cuidados destinada à população idosa no país. Com o acelerado envelhecimento demográfico brasileiro, conhecer esse número tornou-se essencial: de 2010 a 2021, a população com 60 anos ou mais passou de 22,3 milhões para 31,2 milhões de pessoas[1]. Essa crescente proporção de idosos intensifica a demanda por instituições de longa permanência, também conhecidas como casas de repouso ou ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos), que oferecem moradia assistida e cuidados de saúde a quem precisa.

Historicamente, porém, pouco se sabia sobre quantos estabelecimentos desse tipo existiam no Brasil. O cuidado de idosos sempre foi visto sobretudo como responsabilidade familiar, e menos de 1% da população idosa reside em asilos ou ILPIs[2]. Consequentemente, as casas de repouso eram tratadas como última opção, envoltas em certo preconceito social. Somente na última década é que pesquisas dedicadas levantaram dados concretos sobre essas instituições, revelando um panorama antes desconhecido.

Neste artigo, apresentamos o número atualizado de casas de repouso no Brasil com base nas pesquisas mais recentes, explicamos a metodologia utilizada para chegar a esses resultados e discutimos o que eles revelam sobre os desafios e tendências no cuidado aos idosos. Se você precisa encontrar uma casa de repouso para um familiar ou deseja entender melhor o mercado de cuidados de longa duração, continue lendo para conferir os principais números, a distribuição regional dessas instituições, e as perspectivas para o futuro do setor.

Qual é a quantidade de casas de repouso no Brasil?

De acordo com os levantamentos mais atuais, o Brasil conta com cerca de 7,3 mil casas de repouso em funcionamento. Em 2021, estimou-se a existência de 7.292 ILPIs espalhadas pelo território nacional[3]. Esse total inclui desde grandes asilos tradicionais até pequenas residências geriátricas privadas, abrangendo instituições públicas, filantrópicas e particulares. Trata-se de um número significativamente maior do que o registrado em 2010, quando haviam aproximadamente 3.548 casas de repouso no país[4].

Esse crescimento expressivo representa um aumento de 105% em pouco mais de uma década[3]. Diversos fatores explicam essa expansão: o próprio envelhecimento populacional, as mudanças nas estruturas familiares (como famílias menores e mulheres inseridas no mercado de trabalho) e uma lenta redução do estigma em torno dos asilos contribuíram para a maior demanda e oferta de vagas[5]. Ainda assim, é importante notar que, mesmo com mais de sete mil instituições, a cobertura permanece limitada frente ao total de idosos no Brasil – menos de 1% da população idosa está acolhida em casas de repouso[2], reflexo tanto de preferências culturais (a maioria dos idosos permanece no seio familiar) quanto do número de vagas disponíveis.

Distribuição regional e tipos de instituições

A distribuição das casas de repouso pelo Brasil é bastante desigual. As regiões mais ricas e populosas concentram a grande maioria dessas instituições, enquanto extensas áreas do interior e do Norte do país carecem de estruturas formais de acolhimento para idosos. A região Sudeste destaca-se por abrigar a maior parte das ILPIs, seguida pelo Sul, ao passo que Norte e Centro-Oeste possuem os menores quantitativos[6][7]. Somente o estado de São Paulo, por exemplo, responde por cerca de 34% de todas as casas de repouso do país[6], evidenciando a concentração regional.

Por região, o número de ILPIs em 2021 era aproximadamente:

  • Sudeste: 4.383 instituições (cerca de 60% do total nacional)[8];
  • Sul: 1.878 instituições (~26% do total)[9];
  • Nordeste: 616 instituições (~8%)[10];
  • Centro-Oeste: 349 instituições (~5%)[11];
  • Norte: 66 instituições (~1%)[12].

Fica evidente a disparidade geográfica: Sul e Sudeste concentram juntas a esmagadora maioria das casas de repouso, enquanto muitas cidades do Norte e do interior do Brasil permanecem sem nenhuma instituição desse tipo. Em 2011, por exemplo, 71% dos municípios brasileiros não possuíam nenhuma instituição de longa permanência para idosos[13], obrigando famílias dessas localidades a buscarem atendimento em outras regiões ou a depender exclusivamente de cuidadores domiciliares. Essa concentração reflete diferenças socioeconômicas e demográficas – onde há mais idosos e maiores recursos (humanos e financeiros), mais ILPIs foram instaladas.

Além das disparidades regionais, também há diferenças quanto à natureza jurídica das instituições. A maioria das casas de repouso brasileiras são iniciativas filantrópicas ou sem fins lucrativos (geralmente mantidas por associações religiosas ou organizações sociais). Segundo o primeiro censo nacional do IPEA, 65,2% das ILPIs eram filantrópicas, 28,2% privadas lucrativas e apenas 6,6% públicas[13]. Em outras palavras, cerca de dois terços de todas as instituições de longa permanência surgiram da sociedade civil, enquanto somente uma pequena fração é administrada diretamente pelo Estado. Mesmo passados mais de dez anos, esse perfil permanece semelhante – ainda são raras as casas de repouso públicas (havia somente 218 asilos públicos em todo o Brasil em 2010[14]), o que sobrecarrega as entidades sem fins lucrativos e o setor privado na oferta de vagas para idosos.

Metodologia da pesquisa: como os números foram obtidos?

Levantar a quantidade exata de casas de repouso no Brasil não é tarefa trivial. Até recentemente, não existia um cadastro nacional unificado dessas instituições. Os números apresentados resultam da combinação de diferentes estudos e bases de dados:

1. Primeiro censo nacional das ILPIs (2007-2009): O marco inicial para conhecer o panorama foi uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) entre 2007 e 2009 – a primeira de abrangência nacional. Esse levantamento pioneiro identificou 3.548 instituições de longa permanência para idosos em todo o território brasileiro[4]. A equipe do IPEA percorreu as cinco regiões do país, mapeando as ILPIs junto a prefeituras, conselhos do idoso e redes de assistência social. O resultado foi uma radiografia inédita do setor: descobriu-se, por exemplo, o total de instituições e sua distribuição regional (já então concentrada no Sudeste), bem como informações sobre tamanho, custos e infraestrutura desses locais.

2. Censo SUAS e cadastros do MDS: Após o estudo do IPEA, o governo federal passou a coletar dados regulares das ILPIs vinculadas à assistência social. O Censo SUAS (Sistema Único de Assistência Social) registrou, em 2012, 1.227 instituições conveniadas ao Ministério do Desenvolvimento Social, número que subiu para 1.451 em 2014[4]. Esses levantamentos cobrem principalmente as entidades filantrópicas que recebem algum tipo de subvenção pública (via prefeituras ou estados). Embora importantes, eles não englobam a totalidade das casas de repouso existentes – muitas ILPIs privadas (particulares) não entravam nesses cadastros, o que mantinha parte do setor “invisível” às estatísticas oficiais.

3. Levantamentos recentes e cruzamento de fontes: Nos anos seguintes, organizações da sociedade civil e pesquisadores seguiram compilando informações para atualizar o número de instituições. A Frente Nacional de Fortalecimento às ILPIs, por exemplo, consolidou dados de diferentes regiões e estimou que o total de casas de repouso dobrou em uma década, chegando a aproximadamente 7,3 mil unidades em 2021[3]. Essa estimativa resulta do cruzamento de múltiplas fontes – desde cadastros municipais e estaduais até dados coletados emergencialmente durante a pandemia de Covid-19.

4. Mapeamento emergencial na pandemia (2020): A crise da Covid-19 expôs a falta de informação centralizada sobre as ILPIs. Em resposta, o governo federal realizou um cadastro emergencial de instituições em 2020, para repassar recursos de auxílio. Por meio de um formulário online, receberam-se registros de cerca de 6.000 ILPIs em todo o país[15]. Esse número de respostas dá uma ideia do mínimo de instituições existentes (já que nem todas responderam). Com base nele, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos conseguiu direcionar auxílio financeiro a 2.117 instituições, beneficiando cerca de 70 mil idosos naquele ano[16]. Embora esse esforço não tenha captado todas as casas de repouso, ele confirmou que o universo real de ILPIs era muito superior ao que os cadastros parciais indicavam.

5. Censo Demográfico 2022 (IBGE): Pela primeira vez, o Censo do IBGE 2022 trouxe dados oficiais sobre moradores de asilos e instituições de longa permanência. O censo não divulgou diretamente o número de estabelecimentos, mas revelou que 161 mil idosos viviam em asilos/ILPIs no país em 2022[17] – cerca do dobro do registrado em 2010 (quando havia 83 mil idosos institucionalizados[14]). Esses 161 mil residentes equivalem a 0,1% da população brasileira, e a distribuição deles reforça o padrão já conhecido: 82% dos idosos em casas de repouso estavam nas regiões Sul e Sudeste[18]. A partir desse dado de população atendida, e considerando a lotação média das instituições, os especialistas conseguem inferir que o número de ILPIs ativas é coerente com as ~7 mil unidades mapeadas pelos levantamentos anteriores.

Em suma, chegamos aos números atuais combinando estudos dedicados e bases administrativas distintas. Cada fonte cobriu uma parte do cenário, e foi preciso integrá-las para obter um retrato mais completo. Ainda assim, pequenas variações podem existir entre estimativas, dado que novas ILPIs abrem (ou fecham) todos os anos e nem todas estão formalmente registradas. Hoje, porém, graças a esses esforços de pesquisa, dispomos de um parâmetro confiável da quantidade de casas de repouso no Brasil e de sua distribuição, algo crucial para o planejamento de políticas públicas e para orientar as famílias.

Desafios e perspectivas para as casas de repouso

Os números revelados pelas pesquisas trazem à tona vários desafios para o presente e o futuro do cuidado institucional de idosos no Brasil. O primeiro deles é a cobertura ainda insuficiente: embora haja muito mais casas de repouso do que no passado, elas atendem uma parcela pequena dos idosos. Culturalmente, muitas famílias brasileiras ainda resistem à ideia de colocar seus pais ou avós em uma instituição, seja por preferência em cuidar em casa, seja por receio quanto à qualidade do serviço. Essa visão é influenciada por anos de preconceito contra asilos – como destacou a pesquisadora Ana Amélia Camarano, frequentemente se culpa o asilo por uma suposta “segregação”, quando na verdade poucos idosos têm acesso a essa opção[19]. Superar esse estigma e encarar as ILPIs como locais de cuidado digno é uma tarefa em andamento.

Um segundo desafio central é garantir a qualidade de atendimento nas ILPIs existentes. Muitos estabelecimentos operam com recursos limitados e enfrentam dificuldades para cumprir todos os requisitos técnicos. Um estudo recente da UFMG, analisando 1.665 ILPIs filantrópicas e públicas, expôs deficiências preocupantes: 90% das casas de repouso não possuíam cuidadores em número suficiente; 82% não atendiam integralmente às normas de acessibilidade; 48% estavam sem um coordenador qualificado (com nível superior, 20h semanais); e 5,8% apresentavam superlotação[20]. Esses dados indicam que, além de ampliar a quantidade de vagas, é preciso investir em infraestrutura, capacitação de equipes e fiscalização para assegurar o bem-estar dos idosos atendidos. Por outro lado, o mesmo estudo apontou esforços positivos, como 94% das instituições promovendo ações para reforçar os vínculos familiares dos idosos, buscando reduzir a sensação de abandono e solidão[21].

A sustentabilidade financeira das ILPIs é outro ponto crítico. Como visto, a maioria delas tem caráter filantrópico ou privado, com mensalidades pagas pelas famílias ou mantidas por doações. Há poucos asilos públicos e, mesmo os filantrópicos, dependem de repasses governamentais que nem sempre são suficientes ou regulares. Durante a pandemia, o auxílio emergencial específico às ILPIs (Lei 14.018/20) conseguiu aliviar parte dos custos em curto prazo[16], mas iniciativas pontuais não resolvem o problema estrutural. Lideranças do setor cobram a implementação de uma política pública permanente de financiamento para ILPIs[15][22] – por exemplo, aumentando recursos orçamentários destinados à assistência aos idosos – de modo que essas instituições possam planejar a longo prazo e manter padrões adequados de atendimento.

Quando pensamos no futuro, os desafios tendem a se ampliar. As projeções demográficas indicam que o Brasil se tornará um país muito mais idoso nas próximas décadas. Já em 2030, deverá haver mais idosos do que crianças no país[23], e prevê-se que em 2050 cerca de 30% da população brasileira terá 60 anos ou mais. Em outras palavras, teremos dezenas de milhões de pessoas potencialmente demandando cuidados prolongados. Se atualmente os idosos são aproximadamente 15% da população e já vivenciamos dificuldades, imagine com 25% ou 30% de idosos – a pressão por ampliar a rede de ILPIs será enorme. Será preciso criar mais casas de repouso, inclusive instituições públicas em maior número[24], além de apoiar alternativas complementares como os Centros-Dia (espaços de convivência e cuidado diurno) e serviços de cuidadores domiciliares.

Por fim, vale ressaltar a importância de informação e orientação para as famílias e para a sociedade em geral. Hoje, quem busca uma casa de repouso enfrenta o desafio de encontrar informações confiáveis sobre vagas, qualidade e custos. Iniciativas como portais de busca especializados (incluindo o site em que este artigo será publicado) ajudam a conectar famílias a instituições de confiança, preenchendo a lacuna de informação e facilitando a decisão por um local adequado. Em paralelo, a transparência de dados – como o mapeamento da quantidade de ILPIs e a divulgação de indicadores de qualidade – empodera a sociedade civil a cobrar melhorias e incentiva uma competição saudável no setor, em benefício dos idosos.

Em síntese, conhecer quantas casas de repouso existem no Brasil é mais do que uma curiosidade estatística: é um passo essencial para identificar onde estão as carências e como supri-las. Os dados mostram expansão do setor, porém aquém do necessário frente ao rápido envelhecimento populacional. O desafio agora envolve qualificar e expandir essa rede de cuidados, quebrando preconceitos e integrando esforços públicos e privados. Somente assim o Brasil conseguirá assegurar que seus idosos tenham, quando precisarem, um lar de repouso seguro, acolhedor e digno – um lugar onde possam viver a melhor idade com respeito e qualidade de vida.

Referências:

  1. Ana Amélia Camarano et al., Condições de funcionamento e infraestrutura das instituições de longa permanência para idosos no Brasil, Comunicado IPEA n.º 93, 2011 [13][14].
  2. IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 71% dos municípios não têm instituições para idosos, 24/05/2011 [6][2].
  3. IPEA, Política Nacional do Idoso: velhas e novas questões, capítulo “Instituições de Longa Permanência para Idosos no Brasil”, 2016 [4][25].
  4. Frente Nacional de Fortalecimento às ILPIs (FN-ILPI), Apresentação na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Câmara dos Deputados, 21/06/2021 [7].
  5. Blog Dose Certa (Droga Raia), Desafios na contratação de cuidadores de idosos em ILPI, 24/07/2024 [3].
  6. IBGE – Agência de Notícias, Censo 2022: 837 mil pessoas residiam em domicílios coletivos no Brasil, 06/09/2024 [17][18].
  7. Revista Pesquisa FAPESP, A dramática situação das casas de repouso, edição 331, set. 2023 [20][21].
  8. Brasil de Fato, Dia Internacional do Idoso…, 01/10/2021 [23][24].
  9. Agência Câmara de Notícias, Entidades cobram mais atenção do Estado com as ILPIs, 16/11/2022 [15][22].

[1] [20] [21]  A dramática situação das casas de repouso : Revista Pesquisa Fapesp

[2] [5] [6] [13] [14] [19] 71% dos municípios não têm instituições para idosos – Ipea

https://www.ipea.gov.br/portal/categorias/45-todas-as-noticias/noticias/4506-71-dos-municipios-nao-tem-instituicoes-para-idosos

[3] Desafios Contratação de Cuidadores de Idosos em ILPI – Dose Certa

https://www.raiadosecerta.com.br/blog/2024/07/24/desafios-contratacao-de-cuidadores-de-idosos-em-ilpi/?srsltid=AfmBOordokunXafbUD-aDq8cti3zF5fprdDFvCdnjzFgQGtyPEGTUjYH

[4] [25] repositorio.ipea.gov.br

https://repositorio.ipea.gov.br/bitstreams/77480e14-3740-45b9-a395-f0d5195486be/download

[7] [8] [9] [10] [11] [12] FN-ILPI

https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/comissao-de-defesa-dos-direitos-da-pessoa-idosa-cidoso/apresentacoes-em-eventos/apresentacoes-de-convidados-em-audiencias-publicas-2021/audiencia-publica-sobre-fortalecimento-das-instituicoes-de-longa-permanencia-de-idosos-21-6-21/apresentacao-ap-21-6-21-sra-marisa-accioly-usp/view

[15] [16] [22]  Entidades de defesa dos idosos cobram mais atenção do Estado com instituições de longa permanência – Notícias – Portal da Câmara dos Deputados 

https://www.camara.leg.br/noticias/919973-entidades-de-defesa-dos-idosos-cobram-mais-atencao-do-estado-com-instituicoes-de-longa-permanencia

[17] [18] Censo 2022: 837 mil pessoas residiam em domicílios coletivos no Brasil | Agência de Notícias

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/41214-censo-2022-837-mil-pessoas-residiam-em-domicilios-coletivos-no-brasil

[23] [24] Dia Internacional do Idoso ocorre em meio a aumento de 53% de denúncias de violência – Brasil de Fato

https://www.brasildefato.com.br/2021/10/01/dia-internacional-do-idoso-ocorre-em-meio-a-aumento-de-53-de-denuncias-de-violencia

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